quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Novidades do Alemão


Nos últimos dias ouvimos (cristãos) falar sobre a tomada de posse, ocupação espiritual, marcação do território espiritual, entre outras babaquices que estão acontecendo no morro do Alemão no Rio.

Eu gostaria apenas de entender porque essa mudança se é espiritual mesmo, se deu com tantas mortes de inocentes e pessoas que nem sabem o porquê de estar nesse planeta. Pessoas que não conhecem um sentido apenas pra estar vivos. E foram mortas. Alguns corpos de inocentes, negros, etc. nem foram encontrados até hoje.

Talvez se o Jesus estivesse aqui ele faria algo diferente. Talvez ele optasse por anunciar o Reino de Deus. E não precisaria assumir um papel de "o transformador", "o cara da oração poderosa", "usar a unção da ocupação", usando imagens do BOPE (Que mata sem piedade) para falar que o BOPE é um exército de Deus na terra.

Tento entender porque os religiosos não optam pela mudança social, psicológica e espiritual em conjunto.

Depois que a "cagada" da polícia do Rio foi feita, agora falam que isso foi obra de Deus. Respondam-me: O tráfico acabou? Acabaram foi com os TRAFICANTES. E ainda portas se abriram para as milícias (Marcelo Freixo do Rio que o diga na explicação). Deus não seria tão tolo.

Deus mataria tantos inocentes e traficantes? Essa ocupação do BOPE foi obra de Deus? Conhecendo Deus, sei que Ele não assumiria essa postura. O povo religioso desse país precisa entender o conceito básico do evangelho. Precisa entender que as nossas armas não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas que se levantam contra o CONHECIMENTO de Deus.

Trabalhar a fonte do problema ninguém quer. Assumimos posturas contrárias ao cristianismo de prática de vida. E outra quando temos a oportunidade de mudar algo por conquistar posições no governo “quebramos a cara” (Magno Malta, Garotinho, etc. que o digam).
Estou cansado. Por isso a revolta. Assim como Jesus quebrou tudo no templo, queria poder fazer o mesmo hoje. A Igreja assume uma postura capitalista. Nossa cruz é de ouro. E o céu é pra quem pode pagar. Tenho vergonha de ser chamado evangélico por causa das práticas de pessoas que se corromperam.
Prefiro viver um cristianismo de prática de vida. Sem ser percebido por muitos. Mas que isso seja a causa de mudança da vida de algumas pessoas.

Precisamos voltar ao evangelho da partilha do pão. De suprir as reais necessidades alheias. De fazer o bem sem olhar a quem. Acima de ser “evangélico”, ser HUMANO. Independente do credo, da cor, da raça, do povo, língua ou nação.

Meu desabafo!
Winston Carneiro

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Cruz de Ontem e a Cruz de Hoje



Olhando a cruz que eu levo habitualmente no pescoço, Mãe Silícia me interpelou um tanto ironicamente e me disse que a cruz de hoje é diferente da cruz de ontem.

Como sempre, tentei acompanhá-la e aprender da sua sabedoria acumulada dia a dia e ela me falou que há uma grande diferença entre ser pendurado em uma cruz e pendurar uma cruz no pescoço. E ainda mais, só devia pendurar uma cruz no pescoço quem estivesse disposto a ser pendurado em uma cruz.

Lembrei dos mártires. Santo Inácio, século segundo, escrevendo ansioso uma carta à Igreja em Roma, pedindo encarecidamente que não interferissem em seu martírio, que não lhe deixem escapar a oportunidade de se assemelhar pela morte violenta ao seu mestre.

Lembrei também dos descaminhos da Igreja, da aliança com o poder, quando em vez de levar a cruz optou por impor a cruz.

Católicos e protestantes fomos produtores de mártires não cristãos. Impusemos o martírio aos "heréticos" e aos não-cristãos em maior quantidade do que o havíamos recebido.

Na realidade, a cruz de hoje, pendurada nos nossos pescoços seria uma cruz de ouro pois somos mais adoradores de Mamom, como dizia Gandhi, do que de Jesus Cristo. Adoradores do capital, do lucro, do conforto, permitimos o sacrifício de vítimas humanas no seu altar e a cruz que carregamos é a própria ameaça de condenarmos os outros à mesma.

Há muito que esquecemos a receita de felicidade de Jesus e optamos pela estrada larga, em vez das estreitas veredas do compromisso com a justiça, com o amor e com a verdade.

A bem-aventurança da perseguição não faz mais parte da nossa confortável vida cotidiana. Não entendemos mais o significado das palavras "Felizes os perseguidos por causa da justiça porque deles é o reino dos céus". A cruz de ontem, sofríamos nós; a cruz de hoje, decidimos a quem entregar.

Mas talvez nem tudo esteja perdido. Encontramos, dispersos por toda a parte, desconhecidos cristãos que em diversos níveis assumem a cruz de ontem e oferecem a face ao sofrimento, à perseguição e ao martírio. Cristãos que participam de toda luta contra a discriminação, contra a exploração e contra todo o tipo de opressão. Em nome da justiça, em nome de Jesus.


Extraído do livro: Vila MaraVila de Marcos Monteiro



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fé e Ação... Ação e Fé - Por Jayson Nogueira

Fé e Ação... Ação e Fé.

Por que ainda não temos encontrado solução para os nossos problemas?

Ou alcançado bênção do Senhor na nossa vida?

A fé sem obras é morta – (Tg. 2: 14 –26).
Existem pessoas que querem um emprego: Que estão clamando a Deus por um emprego, pois querem melhorar de vida. Mas, não se qualificam, não estudam, não fazem um curso profissionalizante, não distribuem currículos, estão esperando em Deus. Estão enfiados dentro de uma igreja tão somente esperando o milagre e não fazem nada para alcançá-lo. Nos relatos bíblicos sobre milagres, observe que sempre uma ação de quem buscava o milagre antecedia o mesmo. O cego grita por Jesus, a Mulher se esforça para vencer a multidão, Naamã tem que ir até o profeta e fazer o que ele diz.
Passemos para alguns assuntos práticos:
Casamento - Na sociedade que vivemos está sendo considerado quase um milagre casar e permanecer casado. Existem pessoas que querem casar: Mas, são pessoas que não sabem, nem possuem o perfil do futuro esposo ou esposa. O que você quer? Se é alto, baixo, gordo ou magro, com qual nível de conhecimento, crente ou não (apesar de não ser garantia nenhuma), e fica pedindo me dá Senhor. É claro que esposo ou esposa não se busca como uma mercadoria de supermercado, contudo se você não sabe o que quer como obter tal coisa, fica pedindo “Deus me dê um namorando, noivo esposo.” Se você não sabe o que quer como Deus vai te dar? (Não recebem porque pedem mal). Entretanto não é só pedir é também agir! Não estou tirando Deus do seu lugar ou diminuindo o seu poder não! O que quero dizer é quê: Deus não vai fazer o que você precisa fazer! Deus não ajuda preguiçoso!
Sem falar que se não sabendo o perfil do futuro pretendente como tal pessoa irá se preparar para conquistá-lo? Também pode haver outro critério além do perfil. O de que qualquer um serve, (desesperadas). Pessoas assim ficam como uma metralhadora humana, dando tiro pra todo lado. Pior ainda é quando não se cuida não se arruma direito, fica parecendo mesmo uma arma de guerra. Pra resolver é só pedir um com problemas de visão. Deus de amor!
A mensagem triunfalista diz: Deus vai te dar... Ah tá! Você que não faça algo pra alcançar não pra ver!
Você esta esperando 1, 2, 3 anos e nada – Você vai ficar esperando! Você precisa de Deus sim! Mais Ele vai abençoar aquilo que você se propõe a fazer! Para derrotar Golias Deus usou a habilidade de Davi, que era o melhor atirador de pedras de Israel. E você quer ser usado? Quer ser abençoado? Quais são as suas habilidades?
Problemas conjugais: Casamento pode ser uma bênção como uma tragédia – depende de duas pessoas. Mas não é impossível.
O homem e a mulher vivem em pé de guerra, não podem se encontrar que sai faísca. E a mulher está clamando a Deus por mudança no esposo – mas quando ele chega em casa, a primeira pergunta que ela faz é “você demorou... você estava onde?” Ele responde: “Preso na 3ª ponte”, mas ela não acredita... e começa ”– você não fala que me ama... você arrumou outra... está me traindo!”
E não vê que suas atitudes contribuem para a destruição do casamento – ainda diz que o Diabo está destruindo o casamento dela. Não! É ela mesma! Também não estou dizendo que o Diabo não está agindo, entretanto, em muitas situações ele nem precisa. Algumas vão buscar solução nesses cultos onde tudo é o diabo, que tem de repreender o Diabo. Tem de repreender a ela mesma. Encher a boca d’água! E o coração de sabedoria! “A rixosa a (casa) destrói com as próprias mãos” (Pr. 14:1).
Outra situação quando ele, o marido, entra em casa, vindo do trabalho – ela está vendo novela, não tem nada para comer e vestida com uma roupa que nem pra bazar serve. E diz que o diabo esta destruindo o seu casamento!
Clama a Deus, mais não percebe que para o milagre acontecer ela precisa mudar! Ela faz parte do processo de restauração do casamento.
Isto também acontece com as mulheres - O homem a trata com grosseria e depois vem encostando, querendo algo mais – e diz que a mulher é que não quer saber mais disso ou daquilo. O cara é igual um cavalo, um troglodita. A mulher vai mandá-lo andar de bicicleta mesmo! O homem não é romântico, não leva um presente, não faz um elogio. Depois vai dizer que o diabo esta destruindo o casamento dele. Tem coisas que Deus não faz e tem coisas que o Diabo nem precisa fazer!
O que dizer daquele que está com problemas financeiros:
A pessoa esta pedindo a Deus que resolva sua vida financeira, mas não pode ver uma promoção na C&A ou na Riachuelo – que divida em 12 x sem juros - que não consegue ficar sem o famoso cartão de credito – gasta mais do que ganha!
Não organiza a própria vida financeira – fazendo uma planilha de custos.
E diz que o diabo esta levando tudo o que ganha. Sabe qual o nome do diabo? Shopping, Cartão de Credito. Comprador compulsivo.
Um dos maiores problemas do homem é a transferência de responsabilidade que faz parte da natureza pecaminosa - Édem.
Você conversa com uma pessoa que não quer se resolver, ela justifica tudo através dos outros!
O eixo central da mensagem triunfalista é – Deus vai te dar a vitória – Jesus já venceu o diabo e te fez um vencedor. Este tipo de mensagem tira do homem a responsabilidade de resolver os seus problemas, transfere para Deus ou para o Diabo os resultados da vida.
O que tem de crente vivendo do mesmo jeito, com os mesmos problemas – porque não se atentaram em resolver primeiramente os seus problemas e buscarem em Deus força para isso. Na igreja triunfalista a demanda de pessoas com problemas é sempre crescente, estas pessoas são incentivadas a buscarem cada vez mais ao Deus que resolve os problemas, e continuam com eles, por quê?
Eu creio, sim, que Deus pode resolver, ou melhor, nos ajudar a resolver nossos problemas – mas partindo da premissa de que eu tenho que reconhecê-los e me esforçar em vencê-los.
O primeiro passo para uma vida transformada é o arrependimento e o segundo passo no caminho do arrependimento é um plano de mudança!
Por que as coisas não acontecem na tua vida, meu irmão? Porque você continua fazendo as mesmas coisas, continua sendo o mesmo! Apesar de orar e buscar a Deus!

Pr. Jaylson Nogueira Pereira

domingo, 24 de outubro de 2010

"ROUBAR E DESTRUIR"... MAS "ELE" QUEM - POR PAULO CILAS

Claro que se eu fizer essa pergunta, na maioria dos lugares a resposta imediata é: O diabo. Alguns "juram de pé junto" que está escrito na Bíblia "o diabo veio para matar, roubar e destruir" no texto de João 10.10. Mas fato é que no verso não está escrito "o diabo", mas sim, "o ladrão". E ainda que a pecha de ladrão, de assassino, de destruidor caiba bem no diabo, vejo nesse verso, dentro do contexto geral do capítulo 10, que não é bem dele que Jesus está falando.

Lendo a ilustração no início de João 10, vemos no discurso de Jesus sobre o Bom Pastor, que é Ele mesmo, uma menção aos mercenários. No verso 8, Jesus descreve os que vieram antes dele como ladrões e salteadores. No 12, ele diz que o mercenário vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge, no 13, foge porque ele não é o pastor, ele não tem cuidado das ovelhas, ele só tem compromisso com seus próprios ganhos. 

Sendo assim, tal declaração de Jesus talvez nunca teve cumprimento tão definitivo quanto nos dias de hoje, em que muitos não tendo compromisso nenhum com as ovelhas, cuidado nenhum com elas, verdadeiramente estão matando a fé e a identidade individual - porque muitos estão se tornando massa manobrada, em nome de uma fé cega, de chavões e crendices -; estão roubando tempo de vida, dias de trabalho - muitos pensam trabalhar para o reino de Deus, mas na verdade estão gastando seu trabalho e esforço para edificação de reino de homens - Ah! mas, roubam dinheiro também; estão destruindo a convivência, a harmonia, a unidade, a humildade - muitos estão levantando as bandeiras de seus líderes, de suas denominações deixando de viver a fraternidade, a comunhão e o amor ao próximo. Outras destruições seguem a essas: destruição da esperança, da fé, do bom testemunho. Pessoas acabam decepcionadas com a carreira cristã. Outras, alienadas, só conseguem andar conduzidas por amuletos e muletas e não conseguem uma vida pessoal diante de Deus.

Claro que não é tão simples escrever ou ainda aceitar o que estou escrevendo. Ouvi de um aluno há muito, que com essa afirmação eu estava jogando fora anos de conhecimento bíblico dele. Ouvi de outro, enquanto líamos o texto juntos, que compreendia o que eu explicitava, no entanto que era difícil abrir mão da ideia de que era o diabo que veio matar, roubar e destruir. E o mais curioso, é que muitos que matam, roubam e destroem mencionam sempre o nome do diabo. 

Sei que pregadores, muitos dos quais eu admiro, pregam que o diabo é a personagem da matança, os ouço até no púlpito da igreja onde estou, mas mesmo assim insisto: Ouvindo Jesus falar sobre os enganadores em diversas ocasiões, o mesmo acontecendo com Paulo, Pedroe João que também fazem menção de oportunistas que têm como deus seu próprio ventre e que buscam sua própria glória e não a de Deus, não vejo outra interpretação senão a que está bem claro no texto, e se no capítulo 10 de João há um papel para o diabo, é a figura do lobo.

Então, bendito é o que houve a palavra do Bom Pastor e que reconhece a sua voz. Esse é guardado dos ataques, mas o que dizer dos que tem ouvido a voz dos mercenários? Ficarão à mercê do lobo.

Assim penso e assim estou seguro: Ainda, repito, que pela sua fama é fácil chamar o diabo de matador, roubador e destruidor, escrevo com convicção que Jesus está falando de homens maus, que dizem querer cuidar de ovelhas. Que a inspiração desses é o maligno, não tenho dúvida, pois normalmente os tais são soberbos - ainda que muitas vezes em capa de humildade -, gananciosos - mas se dizendo visionários - e sem freios - entretanto se dizendo conquistadores. Penso que é desses que Jesus está falando.

Ps. O bom livro "Esgotamento Espiritual" de malcom smith, que li há há mais de quinze anos, traz algo sobre o assunto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MUDANÇA DE RUMO - Extraído



"O que encobre as suas transgressões jamais prosperará;
mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia".Pv 28.13

O verdadeiro arrependimento atinge a vontade. É dar meia volta e voltar-se para Deus. Judas deu os primeiros passos do arrependimento. Ele confessou o pecado e sentiu tristeza a ponto de devolver o dinheiro recebido pela traição. 
Porém, não deu o último passo, não se voltou para Jesus. Apenas a consciência do erro e a correspondente tristeza não são suficientes.

É preciso exercitar a vontade e correr para os braços do Pai. O filho pródigo caiu em si e voltou para a Casa do Pai. Se ele tivesse apenas lamentado sua condição e permanecido na pocilga, ele teria perecido. Mas, voltou e encontrou o abraço da reconciliação e a festa da salvação. 

Você já se arrependeu de quem você é e do que você tem feito contra Deus? Você tem produzido frutos dignos de arrependimento? Ou você ainda se deleita naquilo que Deus abomina? Não há fé salvadora sem arrependimento do pecado. A porta do céu jamais se abrirá para aqueles que não entraram, 
aqui, pela porta do arrependimento.

Fonte: www.cadadia.com.br 

domingo, 17 de outubro de 2010

Mais Cristo, menos Cristianismo!!! Ed René Kivitz

Toda religião está estruturada em dogmas, rituais e códigos morais. O Cristianismo também. Mas não são os dogmas, os rituais e os códigos morais que definem a experiência pessoal com Cristo. O apóstolo Paulo esclareceu que os seguidores de Jesus não podem ser reduzidos a observadores de rituais e padrões morais: Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo […] Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne [Colossenses 2.16,17,20-23].
A experiência mística do Cristo crucificado e ressurreto, comunhão com Ele, viver nEle, estar nEle, andar nEle [1Coríntios 1.9; Colossenses 1.2, 26,27; 2.6,7; 3.2], enfim, a devoção e a adoração a Cristo importam mais que a defesa do Cristianismo, isto é, dos dogmas, rituais e códigos morais considerados cristãos.
A imitação de Cristo é a essência do seguimento de Jesus, e importa mais que a adesão ao Cristianismo. Consta que Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses: “Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo”. Eis aí uma constatação interessante: não poucas vezes a maneira como pretendemos servir a Cristo implica trair o espírito de Cristo. Talvez tenha sido isso o que Friedrich Nietzsche quis dizer ao afirmar que “se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no Redentor”.
O apóstolo Paulo estava ciente desse perigo e, por isso, recomendou aos cristãos: Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai [Colossenses 3.5-17].
Há muitas pessoas que se declaram adeptas da religião Cristianismo, mas não se comprometem a viver como Jesus Cristo viveu e ensinou. Não estão ocupadas em guardar (obedecer) todas as coisas que ele ordenou [Mateus 20.18-20], nem tampouco em andar como Ele andou [1João 2.6]. A respeito dessas pessoas, o próprio Jesus declarou: Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! [Mateus 7.21-23].
Cristo é maior que o Cristianismo. Por essa razão, a adoração a Cristo é mais importante que a defesa do Cristianismo, e a imitação de Cristo é mais importante que a adesão ao Cristianismo. Ser como Cristo e fazer mais por Cristo, eis as legítimas aspirações de todo aquele que se comprometeu com o caminho de Cristo.

domingo, 3 de outubro de 2010

SERVIR: PRIVILÉGIO DE POUCOS - Por Ed René Kivitz



É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das “pessoas importantes”, mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.

Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. 
Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.

A comunidade cristã – a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se 
“não existe amor sem dor”, jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que “mais bem aventurada coisa é dar do que receber”.

Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.

domingo, 26 de setembro de 2010

Cristianismo Como Estilo de Vida




I Coríntios 9.19-23 “Sou um homem livre; não sou escravo de ninguém. Mas eu me fiz escravo de todos a fim de ganhar para Cristo o maior número possível de pessoas. Quando trabalho entre os judeus, vivo como judeu a fim de ganhá-los para Cristo. Não estou debaixo da Lei de Moisés; mas, quando trabalho entre os judeus, vivo como se estivesse debaixo dessa Lei para ganhar os judeus para Cristo. Assim também, quando estou entre os não-judeus, vivo fora da Lei de Moisés a fim de ganhar os não-judeus para Cristo. Isso não quer dizer que eu não obedeço à lei de Deus, pois estou, de fato, debaixo da lei de Cristo. Quando estou entre os fracos na fé, eu me torno fraco também a fim de ganhá-los para Cristo. Assim eu me torno tudo para todos a fim de poder, de qualquer maneira possível, salvar alguns”.

INTRODUÇÃO
Mais um valente contrariando as estatísticas do mundo religioso que se corrompe sem parar. Nós (VN's) colocamos no coração não se contaminar com a podridão encontrada na religião atual (falo do movimento Neo-Pentecostalista), que deseja apenas arrecadação de lucros em troca de mentiras ilusórias ao povo que perece por não ter conhecimento do verdadeiro evangelho. Nós queremos seguir os passos de Jesus. Andar onde Ele andou. Conviver com o tipo de pessoas que Ele conviveu. Fazer muito mais do que nos é mandado, para não sermos chamados de servos inúteis. Ser Valente Noturno é superar qualquer tipo de conformidade, ultrapassar qualquer barreira cultural ou religiosa, totalmente disposto a cumprir a ordenança de Cristo: "Vão e preguem..." 

NÃO SEREMOS AMADOS
João 15.18,19 “Jesus continuou: Se o mundo odeia vocês, lembrem que ele me odiou primeiro. Se vocês fossem do mundo, o mundo os amaria por vocês serem dele. Mas eu os escolhi entre as pessoas do mundo, e vocês não são mais dele. Por isso o mundo odeia vocês”.

Nossa escolha pelo Evangelho de Cristo desperta em outras pessoas ira. Não porque nos tornamos melhores que essas pessoas. Pelo contrário, o conhecimento do evangelho nos faz enxergar nossos erros e pecados, quem realmente somos para reconhecer que precisamos de Jesus mais e mais a cada dia. Já a sociedade movida pelo capitalismo é orgulhosa e egoísta. Sem o auxílio do Espírito Santo é impossível que ocorra essa conversão de pensamentos. Não vivemos como o mundo. Não somos desse mundo. Somos Sal e Luz. Somos as mãos de misericórdia de Deus estendidas aos homens.

NÃO ESCOLHEMOS ISSO. JESUS NOS ESCOLHEU
João 15.16,17 “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem em meu nome. O que eu mando a vocês é isto: amem uns aos outros”.

Nosso papel ao viver o cristianismo com estilo de vida é aceitar o que nos é proposto por Jesus. Ele que nos escolheu, e com uma missão. “... que vão e produzam frutos”. Quando fazemos isso estamos seguindo a conduta normal de pessoas cheias do Espírito Santo. Quando vivemos isso estamos aceitando quem realmente somos.


PARA ISSO QUE FOMOS CRIADOS
Efésios 2.10 “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”.

O autor do Eclesiastes em uma busca para descobrir o sentido da vida inicia sua trajetória em busca de DINHEIRO e não se satisfaz, em seguida busca PODER, conquista o poder e não se satisfaz, segue então uma busca escandalosa por PRAZER e não encontra contentamento. Parte para a FAMA E NOTORIEDADE e ainda assim, não se satisfaz, citando então uma das mais conhecidas frases: “Vaidade, Vaidade, tudo é vaidade”. Ou como em outra tradução: “Tudo isso é como correr atrás do vento”. Não faz sentido.
O sentido primário da existência de cada cristão é fazer boas obras. Sejam atos no meio religioso, na comunidade onde reside, faculdade onde estuda, em seu lar, etc. Somos criados para isso. Usando palavras às vezes. Mas falando muito mais por meio de nossas atitudes. Não vemos os necessitados como um peso para a sociedade. Vemos em cada pessoa necessitada uma oportunidade do poder de Deus ser manifesto através das nossas vidas. Seguimos a conduta do que realmente somos, e para que, estamos aqui nesse mundo.


O EVANGELHO NOS TRÁS CONTENTAMENTO
Romanos 1.16Eu não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvar todos os que crêem, primeiro os judeus e também os não-judeus”.

Viver o evangelho nos trás contentamento. Não temos peso nem vergonha do que temos. E sim, orgulho e prazer pelo que somos. Por encontrar prazer em ser o que somos é que anunciamos. Algo lógico, levar o que é bom para o maior número possível de pessoas. Assim somos nós, anunciamos o que é bom. E ainda pelo caminho da graça revelada em Jesus.
O evangelho de Jesus nos sustenta. O Jesus do evangelho nos alimenta. Nele temos força e poder através do evangelho.
Se quisermos desfrutar o poder de Deus. Temos que desfrutar o evangelho de Jesus. O evangelho é o poder de Deus. O poder de Deus é o evangelho.


Vivamos o Evangelho como Estilo de Vida.

domingo, 19 de setembro de 2010

Funções da Igreja na Sociedade



A igreja não foi instituída simplesmente para que tivéssemos um ponto de encontro, onde estaria também presente Deus. A igreja não é a instituição religiosa. A igreja não está presa, ou rotulada por placas, líderes humanos, e/ou coisas semelhantes (apesar de participarmos de grupos religiosos e sermos direcionados por lideres que nos foram dados por Deus). A igreja de Jesus Cristo que Ele escolheu somos nós. Pessoas. Seres humanos. Repletos de erros e dificuldades. Mas com o objetivo de apresentar a Missão de Deus às pessoas. 
Temos a missão de trazer esperança aos necessitados, iluminar os olhos dos que estão cegos, fazendo valer a palavra que diz: "Amando-vos uns aos outros". E mostrando sempre que a fonte de toda esperança e a certeza de alívio e refrigério para a alma está em Jesus Cristo.

Porque os cristãos realizam coisas boas?


1-     FOMOS FEITOS PARA ISSO

Ef. 2:10Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos”.

Nós não fazemos boas obras porque é bom ajudar as pessoas. O sentido da criação de Deus foi nos fazer pessoas voluntárias. Dispostas a realizar o propósito da sua criação. O voluntariado é a oportunidade que temos de revolucionar um mundo sem amor, e desesperançoso da vida. O sistema que rege o mundo atual nos leva ao egocentrismo. Porém, nós cristãos, temos uma missão diferenciada. Isso não se dá apenas em falar de Jesus para outras pessoas. Mas também a forma diária na qual vivemos, seja no trabalho, na faculdade, no lar. Não fazemos evangelismo. Nós somos o evangelismo. Como disse São Francisco de Assis: "Pregue o evangelho, se for preciso use palavras".
  
2-     A IGREJA JAMAIS PODERÁ NEGAR A HOSPITALIDADE

Hb. 13.2,3 “Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber alguns acolheram anjos. Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se fossem vocês mesmos que o estivessem sofrendo no corpo”.

Vivemos em uma sociedade egoísta e capitalista, onde arrecadar lucros se tornou tão importante, que se for preciso, as pessoas matam ou fazem uso de outras pessoas como degraus para subir na vida. O padrão já não está em “se contentar com o que se tem”, mas sim “não se contentar, mas arrecadar mais e mais...”. A igreja não se deixa levar por esse raciocínio, mas é sempre pronta em dividir o que tem e ainda está sempre considerando superiores uns aos outros.
 Filipenses 2.3 “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos”.
 1Timóteo 6.17,18: “Exorta aos ricos… que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos em repartir”.
  
3-     IGREJA TEM A FUNÇÃO DE AMAR SEM INTERESSE

I João 3:16-18 “Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus? Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. “Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações”. 

Não escolhemos a quem amar, Deus nos convida a compartilhar o seu amor com todas as pessoas, sem distinção de cor, raça, gênero, religião ou opção sexual. Se é um viciado em crack ou mesmo sendo um rico ou pobre egoísta. Fomos chamados para amar. O amor divino não se constitui na base da troca, dar esperando algo de volta. Não, mas sim, é um amor que não busca os seus próprios interesses. 
Amemos sem preconceitos. Que isso seja nossa prática diária de vida, não simplesmente nos momentos de reuniões.
Acredito que o amor é o fundamento mais importante para que as pessoas consigam conviver em paz. O amor vai nos levar ao sonho de vivência de qualquer sociedade, sem violência, nem homicídios, sem o uso das drogas, com a ajuda voluntária. Sempre tendo mãos estendidas. Onde todos, desde simples trabalhadores até os governantes irão desejar fazer o bem a todos. O início dessa revolução de amor deve-se iniciar na igreja. Assim iremos contagiar o mundo.

Deus nos abençoe,

Winston Carneiro

domingo, 12 de setembro de 2010

A supremacia do bem



Para vencer o ceticismo e continuar a ser gente 





Escrevo sob o impacto das últimas notícias, que me despertam memórias remotas, como fantasmas que se recusam à cova. A Operação Satiagraha (movimento de resistência à ocupação britânica na Índia, proposto por Mahatma Gandhi e caracterizado pela não-violência), deflagrada pela Policia Federal, relativa às relações entre o famigerado "mensalão" e um amontoado de empresas predestinadas ao desvio de verbas públicas, coloca os brasileiros, mais uma vez, diante da corrupção sistêmica e aparentemente insuperável. Eis o mal mostrando sua carranca criminosa desde os degraus mais elevados do poder social e econômico. A morte do pequeno João Roberto Amorim Soares, 3 anos, insiste em lembrar que as ruas das nossas cidades vão, aos poucos, se confundindo com os cenários dos velhos filmes de faroeste, com a suspeita de que alguns policiais se acreditam mesmo encarnações de John Wayne. Mais uma criança abatida, agora brincando de roda de mãos dadas com João Helio, Isabella Nardoni e milhares de outras, que não tiveram tempo de descobrir que pais é esse. Eis o mal mostrando sua carranca infanticida nas calçadas das grandes metrópoles. As fotos de Ingrid Betancourt, resgatada dentre mais de 700 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), estampando as primeiras páginas dos jornais, alimentam o debate a respeito da legitimidade do poder, seus meios e fins, no emaranhado geopolítico em que estamos todos mergulhados. Eis o mal mostrando sua carranca gananciosa nos palanques da ideologia. 





A lista poderia se estender, mas estes poucos fatos são suficientes para alertar quanto ao maior mal que o mal pode causar, a saber, nos conduzir a não crer em mais nada, nem mesmo em Deus, nem sequer em nós mesmos, nem na vida. Mas escrevo para lembrar Musil, o filósofo austríaco: "O homem é capaz de tudo, até mesmo de fazer o bem". E também para compartilhar a reflexão de Jean Delumeau: "O mal certamente existe. Mas o bem também. O belo existe. A ternura existe. Todos podem constatar isso cotidianamente. Não fazer entrar a realidade do bem em uma análise da condição humana é cometer uma subtração ilegítima (...) Com os meios modernos de destruição pode-se hoje aniquilar em dois minutos uma cidade cuja construção e extensão haviam exigido dois mil anos de esforços. Contrariamente ao mal, o bem não faz barulho. Essa 'discrição' faz com que não o levemos suficientemente em consideração em nosso juízo sobre o mundo. 'Ouve-se o estrondo da árvore que é derrubada, mas não se ouve a floresta que cresce', diz o provérbio. A floresta que cresce silenciosamente é o bem que é realizado a cada dia na Terra, em torno de nós e também - por que não? - por nós (...) Suponha que, de repente, o voluntariado deixasse de existir, que subitamente ninguém mais viesse a ajudar ninguém... com isso a existência cotidiana ficaria paralisada e a vida se tornaria insustentável. A humilde generosidade de cada dia está na própria base do tecido social. Mas ela não atrai a atenção das mídias. Estamos tão acostumados com ela que não a percebemos. Em compensação, seu desaparecimento repentino criaria um vazio impossível de ser preenchido" (Delumeau, Jean. À espera da aurora: um cristianismo para o amanhã. São Paulo: Edições Loyola, 2007). 





Jesus afirmou o sal da terra e a luz do mundo. Não fossem os que respondem sim ao convite do Deus que é pura bondade, o mundo ficaria em trevas, e a terra seria um lugar sem graça onde se viver. Eis o Cristo, triunfando, e mostrando sua face amorosa todos os dias, em todo lugar, através daqueles que não se deixam vencer pelo mal, mas vencem o mal com o bem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Evangelização. A missão esquecida!!!


Seja constante o amor fraternal.
Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber alguns acolheram anjos.
Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se fossem vocês mesmos que o estivessem sofrendo no corpo.
Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada. Hebreus 13:1-3;16

INTRODUÇÃO
A evangelização é mais do que uma missão que nos foi dada, é um propósito eterno para nós. Evangelizar dá-nos o entendimento literal de suprir a necessidade de outras pessoas.
Vamos nesse breve estudo refletir em alguns textos bíblicos que nos direcionam ao entendimento 
da evangelização. 

I - É O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS PARA NÓS
Efésios 2.10 diz: “Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. 
• O grande e eterno projeto de Deus para nós é que sejamos filhos ativos, operantes, dinâmicos, frutíferos, e ricos em boas obras. O mesmo Deus que trabalha por nós e em nós, agora trabalha através de nós. Somos a extensão do corpo de Cristo na terra. Somos os braços da misericórdia estendidos aos homens. Deus age no mundo revelando seu amor através de nós.

II - PORQUE É ORDENANÇA DE DEUS
a) Mateus 5.16: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.
b) 1Timóteo 6.17,18: “Exorta aos ricos… que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos em repartir”.
c) Tito 2.7: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras”.
d) Tiago 4.17: “Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando”.
e) A prática das boas obras não é uma opção, mas um mandamento.

III - PORQUE ALIVIA A NECESSIDADE DOS OUTROS
Jesus em todo o seu ministério sempre socorreu a necessidade dos outros.
Em nada foi negligente, quando se tratava de ser hospitaleiro.
A parábola do Bom Samaritano é exatamente um modelo de como cada cristão deve ser.

IV - PORQUE O AMOR DE DEUS É DERRAMADO EM NOSSOS CORAÇÕES
Porque recebemos o amor Deus, temos o desejo de compartilhar esse amor com todas as pessoas.

“Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos.
Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus?
Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações”. I João 3:16-18

Não escolhemos a quem amar, Deus nos convida a compartilhar o amor com todas as pessoas, sem distinção de cor, raça, gênero, religião ou opção sexual.
Nós somos as mãos de misericórdia de Deus estendidas aos homens. Nós somos a extensão do corpo de Cristo na Terra.
[extraído do texto: Porque a Igreja deve fazer boas obras, HDL)



Deus nos abençoe,

Winston Carneiro

domingo, 22 de agosto de 2010

Visita ao Asilo de Idosos




No próximo dia 28/08 nós do Valentes Noturnos, iremos ao Asilo de Idosos de Vitória-ES.
Nos encontraremos às 14:00h em frente à FAESA-Campus I na Av. Vitória.
Solicitamos doações de Pacotes de Biscoitos e Pó de Café, pois é a necessidade do Asilo.
Saibam mais no site: www.valentesnoturnos.com 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

ESTOU CANSADO - Por Ricardo Gondim

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.